O Aécio é bom companheiro…

Tutty Vasques

10 Abril 2011 | 06h18

sgsdsSe, politicamente, não produziu qualquer impacto no jogo de poder que se trava em Brasília, a estreia de Aécio Neves na tribuna do Senado confirmou sua vocação de bom camarada e amigo batuta. Tem cara mais agradável no Congresso? A certa altura da sessão plenária de quarta-feira, casa cheia para vê-lo discursar, quem ligasse a TV Senado durante os apartes pensaria tratar-se do aniversário do neto do Tancredo, tamanha quantidade de cumprimentos e declarações de amizade que ele recebeu até de adversários governistas no evento que marcava a refundação da oposição.

Alguém do PT chegou a sugerir que, “pelo menos uma vez por mês”, os parlamentares se reunissem para dizer uns aos outros o quanto Aécio é bom companheiro. Ele merece! Desde o histórico discurso de Barack Obama no Teatro Municipal do Rio, um político não criava tanta expectativa para não dizer nada com o charme, a contundência e a educação de sempre. “O Brasil cor-de-rosa não é real!” É, no mínimo, o líder de oposição que todo velho político da situação pediu para genro.

Para FHC, ele foi praticamente um filho, resgatando o ex-presidente do esquecimento a que fora condenado no próprio PSDB durante toda campanha de 2010. Presente à sessão, José Serra fez cara de poucos amigos, nada que parecesse extraordinário na rotina de seu semblante. “Foi uma contribuição!” – procurou ser mais tépido que a estrela daquela tarde-noite no Senado Federal.

O novo líder da oposição tem tudo para se transformar, como já anuncia o blog ‘Amigos de Aécio Neves’, no “Obama do Brasil”. Falta-lhe ainda, segundo a coleguinha Dora Kramer, “borogodó de tribuna”. Nada que ele não possa adquirir com a ajuda do também boa-praça Luciano Huck, companheiro de longa data do senador gente fina. Se lhe derem mais 100 dias para voltar à tribuna do Senado, a oposição vai bombar. Espera só!