O apartheid dos engraçadinhos

Tutty Vasques

30 de abril de 2010 | 09h27

ilustração pojucan

ilustração pojucan

Acabou a trégua aparente! A boa convivência entre a piada e a notícia tomou o caminho do beleléu depois que, a pedido de jornalistas, a CBF proibiu o acesso de humoristas a treinos e entrevistas coletivas da Seleção. As duas categorias vão continuar se esbarrando no Congresso Nacional, na cola de celebridades, em viagens do Lula ao exterior, no Carnaval da Bahia, mas, em preparativos para a Copa do Mundo, não! Futebol é coisa séria – decidiu a imprensa esportiva para se livrar de companhias indesejáveis no ambiente de trabalho.

Ainda que super dividido no julgamento da questão, devo reconhecer a cara-de-pau e a falta de tempo cômico de alguns jovens profissionais do riso na TV atirados no ‘se vira nos 30’ das entrevistas coletivas. Em muitos casos, os caras tentam roubar a cena à força para arrancar o riso na marra – fazem do humor um ato de violência. Nem precisa ser jornalista para condená-los, mas é uma pena que tal sentimento politicamente correto não mobilize a turma credenciada pela CBF para se queixar na assessoria de imprensa de outras mazelas da cobertura do dia-a-dia da Seleção.

Quem leva o Ricardo Teixeira a sério e aguenta calado o mau humor do Dunga, francamente, não tem muita moral para reclamar do gaiato ao lado.