O bloco do bunga-bunga

Tutty Vasques

17 de fevereiro de 2011 | 02h42

A luta feminista contra o primeiro-ministro Silvio Berlusconi criou um paradoxo na Itália: tem homem por lá apoiando o movimento nas ruas só para se aproveitar do calor das multidões de saia. Parece que, no último fim de semana, tinha mais mulher dando sopa nessas manifestações de repúdio ao premiê em Roma do que nos blocos pré-carnavalescos do Rio de Janeiro.

No fundo, no fundo quase todo italiano só pensa naquilo: o “bunga-bunga”, ritual erótico grupal livremente inspirado nos trenzinhos de mulher pelada do tempo em que os bailes de carnaval tinham narração de Otávio Mesquita, na madrugada da Band. O ‘Cavalieri’ é apenas uma caricatura bufa desse tipo de tarado cuja demanda atraiu para a Itália um número estimado em 50 mil prostitutas estrangeiras.

Atire a primeira pedra o carcamano que nunca teve uma amiga imigrante brasileira fora do casamento. Só o Berlusconi, pela contabilidade dos juízes que o investigam por crime de exploração sexual, tem 19 delas à sua disposição estrategicamente espalhadas pela península itálica. Exageros à parte, trata-se de um macho italiano como outro qualquer. Ô, raça!

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