O Brasil tem mais segredos que Fátima?

Tutty Vasques

19 de junho de 2011 | 06h51

ILUSTRAÇÃO POJUCANDefender “sigilo eterno” no Brasil justo na semana em que grupos de hackers invadiram os arquivos do FMI, da CIA e do Senado dos EUA, francamente, o governo Dilma Rousseff está atraindo a curiosidade de quem não deve. A pretensão do segredo de Estado em plena era WikiLeaks é, ao contrário do que se almeja, um estímulo à democratização da informação. Só vaza o que se quer esconder! A ciberpirataria é, como se sabe, uma atividade movida pelo inexpugnável.

Quanto maior a defesa de um segredo, melhor o desafio para quem se propõe a violá-lo. Com Sarney e Collor tentando fazer paredinha pra ninguém ver, aí mesmo que dá vontade de, como diz o big brother Pedro Bial, “dar aquela espiadinha”. Se abrir uma fresta – pronto! -, o segredo vira o que Leon Eliachar definia como “isso que vai rolando de ouvido em ouvido e volta sempre com mais detalhes”.

O melhor para quem tem algo a esconder hoje em dia é deixar tudo escancarado, sob a égide da “transparência”, conceito que, tanto quanto a democracia, não comporta ressalvas insuspeitas. Quem é contra tem algo a ocultar – não à toa, quem tem algo a esconder nunca é contra. A defesa do segredo não é artimanha de bandido, é coisa de louco!

Vinícius de Moraes foi quem melhor definiu a insustentabilidade do sigilo: “Que seja eterno enquanto dure!” Taí a Nossa Senhora de Fátima que não deixa o poeta mentir. Há pouco tempo, quebraram o Terceiro Segredo dela, e daí? O leitor por acaso lembra o que foi que a santa disse de tão misterioso aos três pastorinhos portugueses em aparição de 1917? Bobagem! Vai ver que os tais documentos ultrassecretos do Brasil não revelam absolutamente nada demais. Como dizem os flanelinhas, “deixa solto”!

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