O bullying no futebol

Tutty Vasques

15 de setembro de 2010 | 06h38

ilustração pojucan

ilustração pojucan

Fizeram muito bem em chamar um psicólogo! Como qualquer garoto que apanha o tempo todo na escola, Neymar poderia acabar inventando dor de barriga ou outra indisposição qualquer para não voltar a campo. Foi até bom ele reagir irritado daquele jeito aos tabefes e pontapés que toma toda vez que entra na brincadeira de bola. Sinal de que a apatia, sintoma clássico nas vítimas de bullying, ainda não o derrubou na área.

         Imagina só o Neymar deprimido, desmotivado, querendo faltar ao jogo, cheio de angústias e medo. O bullying no futebol tem o agravante de por vezes ser praticado por um moleque com idade para ser pai da vítima. No mais, é tudo igualzinho ao gênero escolar da maldade: vale bater, chutar, beliscar, xingar, intimidar, ameaçar, perseguir, enfim, os maus-tratos de praxe entre meninos da mesma idade.

         Ainda que Neymar possa driblar tudo isso sozinho, o psicólogo que o Santos anunciou para cuidar da cabeça de seu jovem craque talvez o ajude a chegar ao ponto nevrálgico de sua irritação: precisa tocar no trauma de ter recusado proposta milionária do Chelsea para apanhar nos gramados da Grã-Bretanha. Será que não é por isso que estão zoando dele em campo?

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