O Calabar americano

Tutty Vasques

12 Junho 2013 | 02h43

reproduçãoEm comum com o nosso Calabar – mulato brasileiro meio herói, meio traidor que trocou os aliados portugueses pelos invasores holandeses no século XVII –, o branquela americano Edward Snowden alega ter pensado no melhor para seu país ao vazar para a imprensa informações sobre o programa ultrassecreto de vigilância dos EUA a usuários de e-mails, redes sociais e telefones ao redor do mundo!

Quatro séculos após a carta-testamento de Calabar justificando sua “traição” pela felicidade geral da Nação prevista no projeto de um Brasil holandês, Snowden reacende nos EUA a dúvida sobre o caráter de um personagem secundário repentinamente alçado ao posto de protagonista da História por romper com o absolutismo vigente.

No caso dele, talvez os americanos considerem dupla traição o fato de ter preferido o britânico ‘Guardian’ ao ‘New York Times’ na disputa pelo furo de reportagem com o ‘Washington Post’. Sorte de Calabar que, na época dele, nem imprensa havia no Brasil.