O camarote vip do SUS

Tutty Vasques

09 de maio de 2009 | 09h28

O melhor que pode acontecer a alguém que procure a rede pública hospitalar no Brasil é descobrir logo que pegou a tal gripe suína. Confirmado o diagnóstico, o paciente estará livre de espera, de enfermarias lotadas, da falta de médicos, de higiene e de medicamentos, do costumeiro descaso geral com o problema que aflige o cidadão. O próprio ministro da Saúde acompanhará seu caso mesmo após a alta do isolamento, como acontecia ontem com três dos quatro primeiros brasileiros contaminados pelo vírus influenza A (H1N1). Todos passavam muitíssimo bem, obrigado!

Se sofressem de asma ou dores no estômago talvez estivessem até agora no corredor do ambulatório ou em outro inferno qualquer. A gripe suína inaugurou uma espécie de ala vip no SUS. Com capacidade para atender em padrão de primeiro mundo a 12.500 infectados, simultaneamente. Palmas para o ministro Temporão pela iniciativa. Só não dá para entender porque a rede pública de saúde não dispensa o mesmo tratamento à dor da gente que não sai no jornal.

Texto publicado no caderno Cidades/Metrópole do ‘Estadão’ deste sábado.