O filho do Brasil

O filho do Brasil

Tutty Vasques

19 de setembro de 2010 | 06h17

ILUSTRAÇÃO POJUCAN

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Seu Neymar, pai todo mundo sabe de quem, foi o primeiro a perceber: tem muita gente se preocupando sem motivo com a adolescência do garoto do Santos. Todo brasileiro, como se já não lhe bastasse a guarda do filho da Erenice Guerra, virou meio padrasto do Neymar nas últimas rodadas do Brasileirão. “Estamos criando um monstro!” – desabafou dia desses o técnico René Simões, dividindo essa responsabilidade com o torcedor que, como ele, não tem nada a ver com a educação do craque.

         O “problema” do Neymar virou “case” de todo tipo de psicologia barata em voga no Brasil. Discute-se nos bares, esquinas e pontos de ônibus do País se o filho do seu Neymar precisa tomar juízo, calmante ou mais cacete em campo pra deixar de ser bobo. São milhares os diagnósticos e corretivos sugeridos entre um chope e outro para o garoto da Vila “aprender a se comportar”, como recomenda o “professor” Mano Menezes.

“Tira o videogame dele durante uma semana pra ver se ele não se emenda”; “esse moleque precisa parar de ir a inauguração de loja de shopping”; “se cortar aquele cabelo dele direito, melhora”; “são as más companhias do Twitter”; “já experimentaram passar pimenta na boca quando ele fala palavrão?”… Vai por aí afora!

O Brasil está sinceramente preocupado com o filho do seu Neymar, mas, que ninguém se iluda, tem muita gente no meio torcendo, sob o véu do moralismo, que algo dê errado na trajetória dessa jóia rara do futebol. A voz do povo – ô, raça! – está só esperando ele virar um Edmundo, um Adriano ou um (tóc-tóc-tóc na madeira) Bruno para se vangloriar do prognóstico: “Eu não falei?!”

Sorte de Neymar ter o pai que tem para compreender as bobagens que faz como coisa natural da idade. “Ele tem 18 anos e está aprendendo com seus erros!” Já até pediu desculpas por tudo e, da minha parte, está perdoado.

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