O fim do mundo virtual

O fim do mundo virtual

Tutty Vasques

12 Julho 2009 | 09h45

ILUSTRAÇÃO POJUCAN

A Coréia do Norte custou a se dar conta de que para acabar com essa palhaçada que o Ocidente chama de mundo moderno não precisa de bomba atômica, arma química ou míssil de longo alcance. Sai, inclusive, muito mais barato destruir o planeta via Internet. Se trancar meia dúzia de moleques do eixo do mal em torno de um laptop num quartinho de empregada de Pyongyang, daqui a um tempo não haverá mais Twitter, Orkut, Facebook, downloads, sites de pornografia, joguinho de paciência e tudo mais que dá sustentabilidade à vida virtual. As novas gerações achariam menos desastroso se uma ogiva nuclear mandasse o Havaí pelos ares num fim de semana de sol e altas ondas no arquipélago .

Sorte nossa que o ciberterrorismo está apenas engatinhando e a banda larga lá praquelas bandas é ainda pior que a nossa conexão discada. Mas, que ninguém se iluda, o ataque desta semana a sites governamentais dos EUA e da Coréia do Sul foi só um primeiro ensaio da ofensiva final contra a rede mundial de computadores. A idéia é congestioná-la a ponto de tornar um telegrama fonado mais rápido que um e-mail. Vem aí o dia em que será menos aborrecido encarar uma fila de banco do que despachar um doc eletrônico. Qualquer pesquisa no Google vai durar, em média, uma semana de busca. Pode até não ser o fim do mundo, mas, convenhamos, estaremos então bem pertinho dele.

Texto publicado na coluna Ambulatório da Notícia do caderno Aliás deste domingo no ‘Estadão’.