O Gandhi brasileiro

Tutty Vasques

18 Agosto 2011 | 06h17

reproduçãoFracassada a louvável proposta de Pedro Simon para a criação de uma Frente Suprapartidária contra a Corrupção e a Impunidade – só oito gatos pingados do Senado aderiram ao movimento -, resta ainda a alternativa indiana de manifestação pacífica contra tudo isso que aí está: a greve de fome acaba de ser resgatada com grande sucesso de público e crítica em Nova Delhi pelo ativista Anna Hazare (foto), o Gandhi anticorrupção, líder dos indignados com tudo aquilo que também lá está.

Preso ao anunciar o início de seu jejum contra o vale-tudo com dinheiro público, Haraze virou herói das multidões que nos últimos dias saíram às ruas em todo o país para garantir o direito de protesto – “até a morte” – do líder da faxina ética nos serviços públicos da Índia. Resultado: tem corrupto assustado por lá!

Pena que, aqui no Brasil, a instituição da greve de fome esteja irremediavelmente desmoralizada desde 2006, quando Anthony Garotinho passou 11 dias sem comer contra uma certa “campanha mentirosa e sórdida” para desconstruir sua imagem. Melhor até mudar de assunto antes que o ex-governador se reinvente como o Gandhi brasileiro anticorrupção.