O homem invisível

Tutty Vasques

20 Agosto 2011 | 06h11

reproduçãoEntre as milhares de evidências literárias de que Nelson Rodrigues não era um ser humano como outro qualquer, seu horror a viagens o distinguia, em particular, da brasileirada em geral. “A partir do Méier, começo a ter saudades do Brasil.” Longe de casa, dizia, “o sujeito deixa de existir, deixa de ser”, vira ninguém. Gostava de dar como exemplo da estupidez de se ausentar do País a “experiência empobrecedora” de um velho amigo, o jornalista Otto Lara Resende, em visita à Noruega:

“Caminhando pela avenida central da Escandinávia” – deixou gravado em depoimento no Museu da Imagem e do Som do Rio – “o nosso querido Otto não foi reconhecido sequer por um mísero bacalhau.”

“E vice-versa”, pensei alto ao ler em notinha de jornal que o ministro Luiz Sérgio (foto), da Pesca, passou a semana em Trondheim, na Noruega, representando o Brasil na maior feira de aquicultura do mundo. Não deve ter sido fácil para ele ser reconhecido como autoridade no assunto que herdou da Ideli Salvatti, mas, cá pra nós, talvez seja melhor assim: ministro brasileiro quando começa a aparecer muito, já viu, né? Boa coisa não fez! Luiz Sérgio esteve a salvo o tempo todo na Noruega!