O malfeito em pessoa!

Tutty Vasques

13 Novembro 2011 | 06h54

ILUSTRAÇÃO POJUCANDilma Rousseff parece mesmo convencida de que “malfeito”, no caso de Carlos Lupi, não é nada substantivo de “má ação, crime, delito, malfeitoria”, conforme definição específica do Houaiss para o sentido do termo que a presidente emprega quando quer se referir a atos de “corrupção” em seu governo.

O “malfeito” do ministro do Trabalho teria função muito mais adjetiva de “feito incorretamente, mal executado, defeituoso, imperfeito, disforme…” Lupi é, sob este aspecto, o “malfeito” em pessoa. Não se trata de um problema simplesmente estético: tudo nele, a começar pelo raciocínio, é meio mal-ajambrado.

Parece irônico quando quer ser leal, patético sempre que se mete a engraçado, ridículo no papel de sério, sem sentido na formulação de metáforas, agressivo até pra dizer “eu te amo”.

Em alguns momentos de sua fala, dá mesmo a impressão de estar fora de sinc ou, capaz até de uma coisa ter a ver com a outra, com pane no sistema elétrico.
Não tem conserto, a não ser que um bom psicanalista – ou eletricista, sei lá! – consiga desmontar o ministro de cabo a rabo pra ver onde foi que ele meteu na cabeça que herdou de Leonel Brizola o carisma e dom do discurso peculiar, marcas registradas do velho caudilho.

Lupi foi, como se sabe, construído pelo “engenheiro” nas oficinas de fundação do PDT. Chegou lá jornaleiro ainda e, depois de restartado político, ficou assim: um fanfarrão eloquente, pastiche da oratória de seu criador, com esse aspecto de João Bafo-de-Onça, o arqui-inimigo do Mickkey nos quadrinhos da Disney, que todos conhecem.

Não pode ser incriminado por nada disso, mas, convenhamos, um homem assim não devia ter exposição de ministro de estado na mídia. Ninguém merece! O Lula e a Dilma – nisso o Brizola é inocente – podiam ter nos poupado deste desconforto!