O mundo cão já não é mais aquele

O mundo cão já não é mais aquele

Tutty Vasques

16 de novembro de 2008 | 11h00

ILUSTRAÇÃO POJUCAN

Para quem não esperava mesmo mudanças da água pro vinho, assim, de uma hora pra outra, até que o mundo cão ganhou abordagem nova no noticiário mais rápido do que se esperava depois da eleição de Barack Obama nos EUA. Repara só: está todo mundo falando pra cachorro, e não só sobre o cachorro que virou “assunto importante” no discurso da vitória, em Chicago, do qual falaremos mais adiante. A imprensa publicou esta semana matérias sobre os cães que aderiram à obamamania em Paris; os bichos de estimação que sofrem com a crise financeira em Nova York; a mordida que o cachorrinho de George Bush deu no dedo de um repórter diante das câmeras de TV, em Washington; o jeito como Susana Vieira botou o namorado pra fora de casa no Rio; a morte na Califórnia, vítima de câncer de pele, do cão mais feio do mundo (tinha, entre outras coisas, um olho e três pernas); e, como se não bastasse, Gerald Thomas levou aos palcos de São Paulo os ensaios de “O Cão que Insultava as Mulheres”.

No centro das atenções, claro, o cachorrinho meio vira-lata, meio hipoalergênico que Barack Obama procura obstinadamente para cumprir uma promessa de campanha feita a suas filhas, Sasha e Malia. Dezenas de sugestões de especialistas de todo mundo circularam pela mídia, mas nenhuma tão surpreendente quanto o cão sem pêlo do Peru, cuja associação de amigos só aguarda autorização da embaixada americana em Lima para despachar uma amostra grátis da espécie para os EUA, aos cuidados do futuro presidente. Trata-se de um legítimo descendente de uma ninhagem pré-hispânica preferida dos reis incas, que pelo visto, também sofriam de alergia. Ou não teriam um animal doméstico que, além de pelado por recomendação médica, é desdentado e orelhudo por natureza.

Não fosse a maldita alergia de Malia, “nossa preferência seria ter um cachorro abandonado”, disse Obama, suscitando novas reportagens sobre o drama dessa raça desgraçada: só em Nova York, deu na BBC, 44 mil animais domésticos são abandonados a cada ano. E cresce, com a crise, o número de famílias que deixam seus cães em abrigos porque não têm como sustentá-los. São desafios da era Obama que começam a ser encarados de frente. No mais, deu muito o que falar no noticiário a cotação de Hillary Clinton para ser a Condoleezza Rice de Barack Obama. O próprio Bill Clinton ficou exultante com a possibilidade aventada pelo Washington Post. O ex-presidente confessou a amigos que se daria por satisfeito se, nesta função, a senadora passasse fora dos EUA a metade do tempo da atual secretária de Estado. Papo de pinto no lixo! Se bem que, se pintarem umas cachorras…

Clique aqui para ler a íntegra da coluna ‘Ambulatório da Notícia’ do caderno Aliás da edição deste domingo do ‘Estadão’.