O pai da aviação de caça francesa

O pai da aviação de caça francesa

Tutty Vasques

13 de setembro de 2009 | 09h54

ILUSTRAÇÃO POJUCAN

Ainda que oficialmente o negócio com a Dassault não esteja sacramentado ou descartado, muito pelo contrário, Lula seguiu alguns procedimentos formais para tornar praticamente irrevogável sua opção preferencial pela aviação de caça francesa. Logo de cara, deu a Sarkozy um fio do bigode de Aloizio Mercadante como garantia de que não vai ficar mudando a toda hora de posição. Nínguém acredita que passe pela cabeça do presidente deixar seu líder de estimação tendo que explicar à própria família, pela segunda vez em menos de 1 mês, porque não pode recusar um pedido do Lula para fazer papel de bobo perante a Nação.

Mercadante parece mesmo tranquilo nessa sua nova missão de transmitir confiança genérica no rolo que Lula andou arrumando naquele tête-à-tête com o colega francês. Quem está visivelmente desconfortável na situação é o ministro Nelson Jobim, coitado! O homem não cabe na saia justa camuflada que Lula deixou pra ele, qual seja: convencer o Congresso de que é absolutamente normal anunciar o que ainda não foi decidido, sem que isso implique em dizer, necessariamente, que tudo aquilo que foi avalizado no plano político não vá ser confirmado por estudos técnicos – e vice-versa. Coisa de doido! Mas o ministro Jobim é bom nisso: vai acabar levando os caras na conversa, repara só!

Texto publicado no caderno Aliás deste domingo no ‘Estadão’.

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