O papel do ladrão na luta contra o crime

Tutty Vasques

29 de abril de 2010 | 09h28

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Virou piada no submundo do crime a desastrada tentativa de golpe do falso sequestro que um malandro carioca tentou aplicar em José Alencar, sem saber que estava falando pelo celular da cadeia com o vice-presidente da República. As tratativas sobre o resgate da filha do homem já iam longe quando, ao cair da ficha de identificação da vítima do trote, a ligação foi abortada pelo bandido, subitamente assustado com a ousadia involuntária de sua ação. “Tenta o Lula pra ver se cola!” – caçoam, desde então, seus vizinhos de cela.

Marca registrada disso que chamam de “organizado” em matéria de crime no Brasil, a lambança das grandes facções fora-da-lei do País já faz fama lá fora. Esta semana, dois dos nossos melhores pistoleiros atravessaram a fronteira com o Paraguai para atentar contra a vida de um político local. Quarenta tiros a queima-roupa depois, foram presos, enquanto o parlamentar-alvo do ataque, hospitalizado com uma única bala no braço, agradecia na TV “a Deus e a Virgem” pela falta de pontaria.

Se o crime fosse verdadeiramente organizado, estaria agora mesmo discutindo sua performance no noticiário dos últimos dias. Desse jeito, a polícia vai acabar se dando conta de que, para vencer esta guerra, basta não concorrer em trapalhada com o adversário.