O poeta de unhas azuis

Tutty Vasques

17 Maio 2012 | 00h02

reproduçãoQuem sabe influenciados por aquela velha pérola do pensamento malufista sobre o apetite sexual do estuprador, os vândalos de São Paulo deram um exemplo a ser seguido pelos ‘mano véio’ do Rio: “Tá com vontade de zoar com a estátua do Drummond na praia de Copacabana, meu? Pinta as unhas dele de azul, mas não arrebenta os óculos do carinha, tá ligado?”

Mal comparando com a violência dos golpes que pela oitava vez quebraram o bronze de hastes e aros no rosto do monumento ao poeta, o serviço de manicure nas unhas do pé esquerdo de um dos bandeirantes a cavalo na escultura em granito maciço de Victor Brecheret pode ser considerado uma intervenção artística de rara sensibilidade diante do Parque do Ibirapuera. O azulzinho Djavan do esmalte sublinha a delicadeza do vândalo paulistano.

Sem querer dar ideia jerico a espírito de porco carioca, o projeto de girar o banco em que Drummond está sentado no calçadão da Avenida Atlântica para deixar o poeta mineiro de frente pro mar poderia até ganhar patrocínio da Academia Brasileira de Letras, com apoio da prefeitura e o escambau!

Se nem assim a vontade de quebrar passar, mermão, seu caso é exclusivamente de polícia. Dane-se!