O povo contra o advogado de defesa

O povo contra o advogado de defesa

Tutty Vasques

28 de março de 2010 | 09h27

ILUSTRAÇÃO POJUCAN

ILUSTRAÇÃO POJUCAN

Se houvesse veredicto para advogado de defesa, Roberto Podval pegaria cadeira elétrica ao final do grande júri popular que esta semana movimentou o Fórum de Santana, em São Paulo. Não é de hoje que a opinião pública manifesta indignação com o cumprimento do direito constitucional de todo réu indefensável, mas tentativas de justiça pelas próprias mãos, francamente, foi a primeira vez que assisti na porta de um tribunal. Podval escapou dos chutes e saiu atirando contra a multidão: “Tenho pena dessas pessoas que hoje gritam por Justiça porque são as mesmas que amanhã estarão batendo à porta de um advogado para pedir, pelo amor de Deus, que segure a fúria do Estado contra elas.” 

Podval é shakespeariano! Chegou a roubar a cena dos vilões da tragédia ao confinar a mãe da vítima dias a fio, sob pretexto de uma acareação que ele mesmo dispensou junto com suas testemunhas. Bombardeado por jornalistas, emendou novo monólogo sobre a estratégia de sua improvisação: “O caso está perdido, a defesa está destroçada, a opinião pública quer me bater, não tenho falsas expectativas, nem esperanças”, inocentou-se.

Roberto Podval saiu de cena sob vaias, deixando a responsabilidade de manter a mobilização popular pela Justiça para outro craque na arte da defesa do inominável: o grande Nélio Machado deve voltar amanhã ao noticiário acompanhando o depoimento na prisão de um de seus principais clientes, o ex-governador José Roberto Arruda. Precisa gostar muito do ofício, né não?

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