O probo, o reto e o ilibado

O probo, o reto e o ilibado

Tutty Vasques

11 de maio de 2008 | 11h00

ilustração pojucan

Ainda que o Aurélio o considere “verbete inexistente”, agripino, segundo o Houaiss, é adjetivo. Diz-se de parto “em que a criança apresenta primeiro as nádegas”. Nada a ver, pelo menos não no sentido figurativo, com a expressão “nascer com o bumbum virado pra lua”. Agripino, em linguagem técnica de obstetra, não denota sorte na vida. Ao contrário, é um problema – pra não dizer azar de quem se vê na situação. Nem precisa ser especialista no assunto para perceber que “criança nascida pelos pés contra o natural” requer cuidados especiais. Em matéria de parto, definitivamente, agripino não é normal.

Agripino, no sentido parlamentar da expressão, também é adjetivo de político que mete os pés pelas mãos. Vale um acréscimo no verbete do dicionário do mestre depois que José Agripino Maia evocou as mentiras que Dilma Rousseff confessou no pau-de-arara da repressão para duvidar da palavra da ministra. Aquilo foi como um carrinho por trás aos três minutos do primeiro tempo com a bola no campo de ataque da oposição, junto à bandeirinha de corner. Está dando para entender melhor agora o que é Agripino?

José Agripino Maia é líder do DEM no Senado e um dos expoentes da oposição ao governo Lula. Forma com os tucanos Arthur Virgílio e Álvaro Dias uma espécie de Santíssima Trindade da moralidade pública no Congresso: o probo, o reto e o ilibado, não necessariamente nessa ordem.

(clique aqui para ler a íntegra do texto publicado no caderno Aliás do ‘Estado’).

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