O que é isso, companheira?

Tutty Vasques

18 de maio de 2010 | 09h27

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A participação de Fernando Gabeira no sequestro do embaixador americano Charles Elbrick já rendeu livro, filme e confirmou no último fim de semana uma nítida vocação para se transformar na primeira novela de esquerda no Brasil. Ao ressuscitar a história querendo mostrar que Dilma Rousseff não é a única ex-guerrilheira candidata às eleições de 2010, Marta Suplicy deu a Gabeira o papel de “sequestrador escolhido para matar o embaixador”, script de protagonista que deixa o nobre deputado verde numa sinuca de bico digna de folhetim.

         Não que o personagem tenha problemas em ser identificado como ex-guerrilheiro, coisa que, cá pra nós, é o de menos em seu currículo libertário. Há mais de 20 anos Gabeira faz o que pode para minimizar sua importância no episódio do sequestro de 1969 com o firme propósito de desarmar a turma que verdadeiramente comandou a ação e o acusa, com certa razão, de roubar a cena ao romanceá-la no best-seller O Que É Isso, Companheiro?

         Ninguém dá ouvidos à sua resignação de coadjuvante e toda vez que o assunto parece esquecido surge alguém do nada para relembrá-lo, sempre com Gabeira no papel principal. Marta Suplicy emprestou à narrativa aquele seu jeitinho Ofélia de só abrir a boca quando tem certeza. Ou seja, pode dar um bom humorístico, também!

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