O que você quer ser se um dia crescer?

O que você quer ser se um dia crescer?

Tutty Vasques

14 de junho de 2009 | 09h29

ILUSTRAÇÃO POJUCAN

Carlos Minc não chegou a santo como Al Gore nem tem a credibilidade messiânica de Marina Silva, mas sairá do governo com o dobro de votos de quando chegou ao Ministério, em maio de 2008. Tanto faz se permanecer no cargo até o prazo máximo de desincompatibilização – abril do ano que vem – ou se cair antes numa dessas brigas de puxão de cabelo com a líder ruralista Kátia Abreu. O certo é que o futuro político do ministro está muitíssimo bem encaminhado para as eleições de 2010: não fará feio mesmo se arriscar concorrer ao Senado pelo Rio, onde ele ficou grande demais para continuar deputado estadual.

O Meio Ambiente é bom de urna. Pode até não garantir muitas vitórias a seus bravos militantes de ponta no âmbito da preservação ecológica propriamente dita, mas conquista simpatias a primeira vista do eleitor. Quem pode ser ostensivamente contra a defesa de nossas matas, da biodiversidade, da energia limpa, da camada de ozônio, do mico-leão-dourado, das plantas medicinais, praias limpas, ar puro, biomas, rios, cachoeiras e outras cascatas? Já viu alguém advogando a insustentabilidade do planeta? Conhece quem seja a favor das línguas negras, da poluição atmosférica, do abate de florestas, do aquecimento global e, last but not least, do fim do mundo?

Não que seja fácil sair por aí fazendo papel de louco, quebrando machadinhas em praça pública, comprando briga com boi no pasto, tomando puxão de orelhas do presidente da República… Mas, no final, basta dizer “a luta é a defesa do Brasil” ou “tremei poluidores!” – duas das frases de efeito mais recentes de Carlos Minc – e, de novo sem opositores que vistam a carapuça da devastação, o ministro sai da briga sem amassar o colete ou arranhar a careca.

Ser ministro do Meio Ambiente, enfim, não é como governar São Paulo, ainda mais quando não se tem muitos cabelos para arrancar. Imagina o Minc tendo de explicar que a PM não cometeu qualquer exagero esta semana no campus da USP. Duvido que, no lugar de José Serra, ainda lhe restassem aqueles fios longos que cruzam seu cocoruto caprichosamente da esquerda para a direita numa franja projetada em vão livre anterior à testa. Cá pra nós, polícia jogando bomba em estudante é que nem carrinho por trás: mesmo quando pega só de raspão é indefensável. Batida errada! O Serra sabe disso desde os tempos da UNE em que jogava pedra em meganha, mas – caramba! – ele agora é a droga do governador e, não satisfeito, ainda quer ser presidente.

Se um dia eu crescer, sinceramente, quero ser, no máximo, ministro do Meio Ambiente. E olhe lá!

Pra porco dormir
Com todo respeito à OMC, esse papo de “pandemia moderada”, francamente, estão tentando criar um meio termo entre o tsunami e a marolinha.

Texto publicado na coluna Ambulatório da Notícia deste domingo no ‘Estadão’.

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