O reality show do mal

Tutty Vasques

02 de junho de 2010 | 09h18

Tutty.blog.bombaSe Mahmoud Ahmadinejad não abrir o olho, Benjamin Netanyahu vai acabar lhe roubando o papel principal na cobertura do fim do mundo. Os dois voltaram a disputar mais intensamente no noticiário desta semana a função de protagonista dos últimos capítulos da civilização.

Aproveitando-se da distração do presidente do Irã com a performance de Lula pela paz, o primeiro-ministro de Israel conseguiu na segunda-feira desviar para si as preocupações de todo mundo. O enriquecimento do urânio iraniano passou a dar traço de audiência desde o violento ataque israelense à ação humanitária em águas internacionais do Mar Mediterrâneo.

Isso quer dizer o seguinte: vai ter troco! Ahmadinejad já deve estar preparando uma lambança atômica capaz de recuperar seu prestígio de exterminador do futuro na imprensa. Se é que Netanyahu não tem outra barbárie engatilhada. Entre os concorrentes, a estratégia é muito parecida com a dos reality shows da TV: quanto pior, melhor!

Não se faz mais estadista maluco como antigamente! Só no Zimbábue sobrevive um tipo que aposta todas as suas fichas no circo do futebol em busca de popularidade. Será que ainda vamos sentir saudades de Robert Mugabe?

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