O remedinho do Fidel!

O remedinho do Fidel!

Tutty Vasques

12 de setembro de 2010 | 06h41

ILUSTRAÇÃO POJUCAN

ILUSTRAÇÃO POJUCAN

Pode ser de ordem meramente psiquiátrica a nova revolução que Fidel Castro pôs em marcha acelerada no noticiário internacional. A imprensa ouve cientistas políticos sobre o fenômeno, mas quem tem pai com mais de 80 anos já percebeu que o comandante encontrou seu remedinho. Sabe aquele tarja preta que, mais cedo ou mais tarde, todo mundo busca para não continuar velho chato de galocha? Parece fácil de achar na farmácia, mas precisa antes acertar a química na mosca para neutralizar o espírito de porco específico que baixa em todo veterano da terceira-idade, cada um com seu cada qual.

O caso de Fidel já era considerado perdido quando, de repente, o homem começou a falar coisa com coisa, assim ó, sem mais nem menos: virou ativista do desarmamento nuclear; puxou a orelha do Ahmadinejad; assumiu o “erro” pela perseguição aos gays; reavaliou equívocos do tempo da Guerra Fria; e, de quebra, desmentiu o atestado de óbito que passara de véspera para o modelo econômico em vigor na sua própria ilha.

Ainda não chamou a blogueira Yoani Sánchez pra tomar um mojito na Bodeghita, mas isso é questão de tempo. Precisava, primeiro, parar com aquela palhaçada de bancar o garoto-propaganda ora da Nike, ora da Adidas. Fidel voltou ao seu verdinho oliva básico, sem patrocínio civil ou condecorações militares.

A oposição desconfia que ele esteja esclerosado! Em sã consciência, comenta-se em Miami, mandaria prender a si próprio pelas coisas razoáveis que anda dizendo por aí. Em Havana, no entanto, corre o boato de que, além do tal remedinho certeiro, Fidel Castro estaria se consultando com um psicanalista lacaniano. Aprendeu, de cara, que não é mais ele que define o tempo das conversas. Se continuar assim, vai acabar arrumando namorada!

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