O Rio amanheceu cantando

O Rio amanheceu cantando

Tutty Vasques

06 de setembro de 2009 | 09h28

ILUSTRAÇÃO POJUCAN

Se há uma coisa que carioca sério não leva a sério é elogio. Alguns, inclusive, preferem ir logo se avacalhando a ouvir bobagens do gênero “o Rio é a cidade mais feliz do mundo”, segundo ranking publicado esta semana na revista Forbes. “Desde que Fred Astaire e Ginger Rogers apareceram no filme Voando para o Rio, em 1933, o mundo ficou fascinado com o RJ”, diz a reportagem que deixou muito carioca, se não envergonhado, desconfiado dessa história.

O Rio amanheceu cantando quase todo dia na semana passada. Quando não despertava com o COI anunciando que não existe no mundo lugar melhor para sediar as Olimpíadas de 2016, acordava com a barulheira do pessoal do funk estreando a chancela de “movimento cultural”, agora por força de lei. Teve foguetório, também, na manhã seguinte à quebra de braço que Sérgio Cabral ganhou de Lula na briga pelos royalties do pré-sal. Vai precisar mesmo de muito dinheiro para fazer metade das coisas que vem anunciando em sistema de rodízio de boas notícias com o prefeito Eduardo Paes.

Vem aí um mega Museu da Imagem e do Som em Copacabana, a revitalização do cais do porto, a despoluição da Lagoa Rodrigo de Freiras, garagens suterrâneas por toda a cidade, transporte sobre trilhos, o novo Maracanã para a abertura da Copa de 2014… Esta semana, Paes apresentou projeto de reurbanização da Avenida Rio Branco, a Paulista dos cariocas, que será entregue exclusivamente aos pedestres.

De concreto até agora, a Prefeitura conseguiu derrubar no fim de semana passado o desastre arquitetônico que Paulo Casé projetou numa estranha forma de passarela ligando nada a coisa nenhuma, justo na fronteira de Ipanema com o Leblon. O carioca comparou o feito à queda do Muro de Berlim, esbanjou bom humor nas ruas no domingo ensolarado da demolição, mas daí a revista Forbes classificar a cidade como a mais feliz do mundo, por causa de Fred Astaire e Ginger Rogers, peralá! Onde é que o Sérgio Cabral e o Eduardo Paes entram nessa história?

Texto publicado no caderno Aliás deste domingo no ‘Estadão’.

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