O sofrimento não pode parar!

Tutty Vasques

02 de julho de 2010 | 06h34

ilustração pojucan

ilustração pojucan

Eu bem que alertei no início da Copa para o risco de crise de abstinência após as oitavas-de-final. Dois dias inteirinhos sem futebol na TV, e – resultado! – teve torcedor aqui no Brasil que foi ontem ao Zoológico com expectativa de safári para tentar saciar a afro-dependência. Gente que saiu de casa sem ar, precisando ver girafa, rinoceronte, leão, leopardo, zebra, sei lá! O canal a cabo Planet Animal também bateu sucessivos recordes de audiência nas últimas 48 horas.

         Quem tentou manter um pé na África ligado nas mesas redondas esportivas pegou carona na depressão dos comentaristas com o súbito recesso da Jabulani. Se foi ruim para o afro-dependente da poltrona, imagina para o jornalista – ô, raça! – que há dois dias assiste a 15 minutos de “bobinho” no treino e passa o resto do tempo falando ao vivo sobre tudo que está acontecendo na Copa.

         Pior que ninguém vai ter muito tempo pra se refazer da dolorosa estiagem de jogos que se encerra. O ideal seria o brasileiro retomar hoje a rotina do Mundial curtindo Alemanha x Argentina, tranquilo, mas não! Levanta aí porque lá vem a Holanda! Quem dormiu ontem com fome de bola, já acorda hoje com frio na barriga. Daqui a pouco a Copa começa ou acaba para o Brasil. Só nos resta torcer para que esse sofrimento continue!

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