O vândalo de passeata

Tutty Vasques

22 Junho 2013 | 06h31

reproduçãoNão há cronista brasileiro fora da curva da mediocridade que não morra de inveja da verve do Nelson Rodrigues a cada tentativa frustrada de descrever o “vândalo de passeata” com a riqueza de simbolismos delirantes que o personagem inspira.

O baderneiro da atualidade talvez mereça lugar na mesma galeria que imortalizou o “padre de passeata” saído das crônicas do mestre em trajes civis, livre da batina de fachada, para agitar manifestações de rua contra a ditadura nos idos de 1968.

Ninguém é santo em passeata, mas naquela época não havia soldados da indisciplina como esses que a imprensa chama genericamente de “minoria de vândalos”.

Os caras são destemidos, enfrentam a polícia e desafiam a multidão que os desaprova. Parecem imunes ao spray de pimenta e ao gás lacrimogêneo, são a desmoralização da bomba de efeito moral.

Vendo-os em ação, Nelson Rodrigues diria que, no fundo, “todo vândalo gosta de apanhar”.

Pena, enfim, que já não está mais aqui quem teria falado!