Ôla, que tal?

Tutty Vasques

10 Agosto 2012 | 06h07

ilustração pojucanDependendo do momento em que se forma nos estádios, a chamada ‘ôla’ não é puro reflexo da alegria de torcedor. Quando acontece com o jogo em andamento, a onda humana em movimento também pode ser interpretada como reação coletiva do público ao tédio que o espetáculo apresentado transmite ao espectador.

Ainda que de forma inconsciente, seria uma espécie de desagravo à falta generalizada de empenho – ou de talento – em jogo: “A gente não precisa de vocês para se divertir, seus bobos!”

Ôooooooooo!!!

Tem ‘ôla’ que é quase desrespeitosa com o atleta! O cara treina a vida inteira para brilhar naquele momento e, justo na hora, está todo mundo em volta preocupado em não perder sua vez de se levantar num pulinho com as mãos pra cima, sem dar a menor bola para o que rola no palco principal.

A ‘ôla’, nessas circunstâncias, transfere para a plateia a responsabilidade pelo espetáculo, rouba a cena de quem não cumpre seu papel no scripit.

Presta só atenção amanhã na final Brasil x México de futebol. Se aos 20 minutos do primeiro tempo a galera ensaiar a coreografia característica da coisa no estádio de Wembley, capaz de o jogo se arrastar de ‘ôla’ em ‘ôla’ até a disputa de pênaltis.

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