Olhos nos olhos

Tutty Vasques

20 de agosto de 2010 | 06h07

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O teleprompter é, ainda, um problema sério no Horário Eleitoral Gratuito da televisão brasileira. Não são poucos os candidatos a deputado País afora que, na leitura do próprio número – que seja! -, olham fixamente para um ponto infinito que só os cegos enxergam atrás do espectador. Repara só!

         Dá para votar num desconhecido que, nos 15 segundos que tem para se apresentar, não consegue cruzar seu olhar com o do eleitor? E, no entanto, a culpa nem sempre é dele, coitado, visivelmente desconfortável no frio do estúdio, em busca de uma cola de texto nalgum espaço acima – ora à direita, ora à esquerda – das têmporas do público votante que lhe assiste em casa com visível má vontade.

         Não são os piores! Há até algo de ingênuo e sincero em quem dá a cara à tapa e faz papel de idiota na propaganda política obrigatória em curso. Depois que aprende a se relacionar simultaneamente com a câmera e o teleprompter, aí sim, o político vira um completo dissimulado. Eu, pelo menos, desconfio de todo candidato capaz de ler seus improvisos sem tirar os olhos do eleitor.

Não é fácil e, até certo ponto, arriscado. Dizem que, se bater um vento na hora, o cara fica para sempre com aquele olhar oblíquo do ex-presidente argentino Néstor Kirchner. Será?

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