Orifício metafórico

Tutty Vasques

23 de junho de 2011 | 06h15

ilustração pojucanO inverno começou quente: o desejo de “amar uma mulher sem orifício”, verso mais impactante de Chico Buarque em ‘Querido Diário’ (carro-chefe na divulgação do novo álbum do artista na internet), promete ser a grande polêmica da estação. Ontem à noite mesmo, as pessoas já se perguntavam entre um gole e outro de vinho que diabos o ex-marido da Marieta quis dizer com isso.

Há controvérsias! Para os intelectuais – ô, raça! -, Chico foi metafórico. Tanto quanto Caetano quando, em célebre contraponto poético, imaginou-se penetrado “pelos sete buracos da minha cabeça”. Mas vai botar isso embaixo dos caracóis de uma jovem senhora que desde a adolescência alimenta a fantasia de uma paixão à vera com o compositor dos olhos verdes! Muitas acabam de perder de vez as esperanças: “Será que todas as outras (Rita, Geni, Carolina, Januária, Bárbara, Beatriz, Joana Francesa, Lígia…) eram mulheres sem orifício?”

Melhor fazem os jovens desencanados, que usam o detalhe da letra como pretexto para tocar no assunto com a namorada. “Você acha que é possível amar alguém sem orifícios, como prega agora o Chico?” Uma coisa leva a outra, não tem erro. Experimenta só!

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