Os riscos de aprender a ler

Os riscos de aprender a ler

Tutty Vasques

31 de maio de 2009 | 09h28

ILUSTRAÇÃO POJUCAN

A um mês da abertura da Festa Literária de Paraty, o grupo de intelectuais liderado pelo ativista Xico Sá – gente que há anos tenta subverter o estilo bem comportado daquela rave de escritores – sugere esquentar o encontro com um debate despudorado sobre essa leitura safada que a rede pública de ensino de São Paulo vem aplicando na garotada com idade para descobrir Monteiro Lobato, e olhe lá. É um tal de chupa aqui, estupra assim, toma drogas assado…

Nada contra a poesia de Manuel Bandeira, o grande homenageado desta sétima edição do evento, mas a tentação, esse gosto incontrolável por uma coisa errada, é indissolúvel à sensação de paraíso que Paraty evoca nos visitantes. “A Flip não pode deixar de discutir textos como ‘Manual de Auto-Ajuda para Supervilões’, entre outras coisas que hoje ensinam nas escolas”, diz o manifesto dos autores da pá-virada.

O movimento deve ganhar força a partir da próxima quarta-feira, quando a Secretaria de Educação de São Paulo divulgará, enfim, o levantamento que mandou fazer sobre os mais de 800 títulos incluídos no Programa Ler e Escrever, voltado para alunos das primeiras séries do ensino fundamental. Quem sabe não encontram na lista livros como ‘Na Cama com Bruna Surfistinha’, né? Ainda há tempo de convidá-la para uma mesa na Flip sobre literatura juvenil. Tem pai dando graças a Deus porque seus filhos não aprendem a ler!

Texto publicado na coluna Ambulatório da Notícia deste domingo no ‘Estadão’.