Patrícios são os outros!

Tutty Vasques

24 Outubro 2012 | 00h03

reproduçãoCriado no convívio de avó nascida na ‘terrinha’, cresci achando que sotaque português não tivesse cura. Dona Deolinda, de quem herdei o bordão “ô, raça!”, não negava a própria nem para dar “bom dia” 40 anos depois de desembarcada no Brasil. A fala e o bigode sempre foram registros marcantes de sua identidade lusitana.

Eu, menino, ouvia a pronúncia dela como uma espécie de carimbo de origem na língua. Algo tão indelével quanto o gosto pelo bacalhau. Nada grave, imaginava! Pois se até o dono da padaria e o cantor Roberto Leal falavam daquele jeito…

Ano passado, quando a TV Globo apresentou o galã português Ricardo Pereira sem sotaque algum na novela ‘Aquele Beijo’, pensei estar diante de um talento único para coisa, mas dia desses reparei que Paulo Rocha, outro artista trazido do Além-Mar pela emissora, livrou-se por completo de seus hábitos fonéticos para atuar em ‘Guerra dos Sexos’.

Ainda bem que vovó Deolinda não viveu o suficiente para testemunhar o que pode ser o início do processo de extinção do sotaque de sua gente.

A fonoaudióloga que preparou os patrícios para as novelas logo vai se dar conta de que ficará rica se abrir um cursinho em Lisboa!