Plano (do) piloto

Tutty Vasques

03 Julho 2012 | 00h02

ilustração pojucanOk, deve ter sido mesmo acidente de percurso, ninguém é doido de pensar que os pilotos da FAB tiveram intenção de quebrar as vidraças do STF, mas o descuido com a altitude dos caças que saudavam a cerimônia de troca da Bandeira na Praça dos Três Poderes deixa no ar um sentido figurado: há sim uma forma de tirar o sossego de quem tem telhado de vidro em Brasília, ainda que este não seja o caso do Supremo!

Se os Mirage 2000 tivessem passado um pouquinho mais pra lá ou pra cá na rota festiva do sobrevoo dominical, estaria chovendo caco de vidro até agora no Congresso Nacional ou Palácio do Planalto, dependendo daquilo que Lúcio Costa chamava de “Plano (do) Piloto”.

Nunca antes na história deste País uma metáfora foi tão pouco sutil em sua exposição pública. Nem o Lula quando se exprime através do futebol consegue estrago igual entre a intenção e o gesto de se fazer entender.

Por falar em Lula, não foi ele que em 2009 chegou a anunciar a compra de 36 caças franceses? Para quem ainda não tinha uma boa teoria conspiratória a respeito, a ‘onda de choque’ que estilhaçou as vidraças do STF às vésperas do julgamento do mensalão fala mais que mil palavras.

Ou não, né?!