Pletora sem alegria

Tutty Vasques

05 Agosto 2014 | 02h17

ilustralão pOjucanIsso que Caetano Veloso deu agora pra chamar de “pletora de excitações negativas” – guerras, epidemias, fundos abutres e tudo mais que faz o mundo parecer assustador – inclui, decerto, ainda que em caráter mais doméstico, a seca da Cantareira, a volta do Dunga, as ameaças de morte ao líder ianomâmi Davi Kopenawa, a conta na Suíça do filho da Maria Zilda e “a goleada que não terminou”, como Zuenir Ventura chama aquele 7 a 1 na Copa.
“Pletora de excitações negativas” é, enfim, o tsunami de más notícias que a presidente Dilma chama de onda de pessimismo: a possibilidade de fraude na CPI da Petrobrás, a situação do Flamengo, o encolhimento do PIB, a baixa umidade do ar, a última pane no metrô, a multiplicação dos sem teto, a sobrecarga tributária, o serial killer de meninas em Goiânia, o atraso nas obras para a Olimpíada…
Cá pra nós, isto cansa uma pessoa! Juro que, se pudesse, também dava um tempo no colunismo, como fez Caetano no ‘Globo’!

Momento Houaiss

‘Pletora’, no sentido figurado adotado por Caetano, quer dizer “superabundância de energia; vitalidade que se manifesta no comportamento, nos atos etc”.

Em ‘Fora da Ordem’, o compositor chama de “pletora de alegria” um show de Jorge Benjor.