Por que saímos das cavernas, afinal?

Tutty Vasques

05 de maio de 2010 | 08h40

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Quando a gente pensa que já se estarreceu com tudo nessa vida, eis que um novo absurdo salta pelas bordas do noticiário em forma de escândalo absolutamente desnecessário. No país da prostituição infantil, do menor abandonado e dos meninos do tráfico, o Ministério Público resolveu agora levantar suspeitas de exploração sexual de menor na aparição de um dos seios da atriz Malu Rodrigues, de 16 anos, no espetáculo O Despertar da Primavera, clássico do alemão Frank Wedekind em adaptação musical de Claudio Botelho & Charles Moëller.

Mais de 100 mil pessoas assistiram à tal cena do despertar para o amor da personagem de Malu – sem contar o pai dela, que esteve na platéia de todas as récitas por determinação do Conselho Tutelar. Mais: para não correr riscos de arranhar o Estatuto do Menor, a garota foi emancipada pela família e atua com alvará da Vara da Infância. Enfim, a suspeita de pornografia, no caso, é tão pertinente quanto os argumentos da censura na época da ditadura.

Resta o consolo de que a peça saiu de cartaz no último domingo, deixando à sombra esse espetáculo de dar vergonha que segue seu curso na Justiça. Como disse Millôr Fernandes dia desses em seu Twitter, “Se o homem da caverna soubesse o que ia acontecer, teria ficado lá dentro.”

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