Quanto tempo o tempo tem?

Tutty Vasques

13 de abril de 2010 | 09h28

ilustração pojucan

ilustração pojucan

Vento frio, céu nublado, e daí? Esse negócio de tempo bom é muito relativo hoje em dia. O último fim de semana sem Sol em SP foi uma delícia para quem buscou os anos 60 atrás de uma cor cultural de época. Se você perdeu as exibições do documentário ‘Uma noite em 67’ no Festival ‘É Tudo Verdade’, vai ter que esperar pelas estreias de inverno para voltar a esta praia inesquecível do Brasil luminoso que o cinema resgata no filme de Ricardo Calil e Renato Terra.

Houve um tempo em que o País vibrava diante da TV com a disputa entre Chico Buarque (Roda-Viva), Edu Lobo (Ponteio), Caetano Veloso (Alegria, Alegria) e Gilberto Gil (Domingo no Parque) num evento popular da Record comparável em audiência e rivalidade ao que é hoje o Big Brother Brasil da Globo. Mais que nostalgia, o mergulho cinematográfico na grande final do festival da canção de 1967 traz à tona uma vocação brasileira que o discurso das celebridades enterrou: o que era genial sem muita explicação virou teoria da mediocridade.

O Brasil é bem melhor do que parece! Pensava nisso no domingo, a caminho da Oca do Ibirapuera, onde tinha encontro marcado com o Roberto Carlos de quase 50 anos atrás: “De que vale o céu azul e o Sol sempre a brilhar?” Tempo bom, como se vê, é outra coisa!