Que Deus o perdoe!

Tutty Vasques

24 de outubro de 2009 | 09h27

Dessa vez a Igreja está coberta de razão! Até quem não entende nada de religião – nem de política – sabe que Jesus não fez coalizão com Judas simplesmente porque os dois eram do mesmo partido. Mas, também, não precisa crucificar o Lula por causa da comparação infeliz. Numa analogia possível com os tempos atuais, talvez Pilatos, em vez de lavar as mãos, pedisse uma CPI para esse filho de Deus que não difere discípulo de fariseu, e ainda evoca o exemplo do irmão mais velho para se justificar. 

O presidente não teve, decerto, a intenção de ofender o Pai, o Filho, tampouco o Espírito Santo, amém! Vai ver só queria deixar registrado que, no lugar de Jesus, faria diferente para obter condições de governabilidade e não acabar na cruz. Se bem que, salvo engano, naquela época ainda não havia PMDB, mas não convém botar lenha nessa fogueira. Religião nunca foi o forte das metáforas de Lula. O presidente, como se sabe, tem mais traquejo com a retórica do futebol.

Texto publicado no caderno Cidades/Metrópole deste sábado no ‘Estadão’.

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