Que menina é aquela?

Que menina é aquela?

Tutty Vasques

04 de outubro de 2009 | 09h27

ILUSTRAÇÃO POJUCAN

ILUSTRAÇÃO POJUCAN

Embora o perfil de Roman Polanski se enquadre perfeitamente naquilo que o presidente Lula chama de um tipo de gente que não pode ser tratada como “pessoa comum”, as vagas nesse clube de intocáveis devem ter se esgotado com a admissão de José Sarney pouco antes da prisão do cineasta franco-polonês, em Zurique. A notícia deixou de saia justa pelo resto da semana o que sobrou da nata do ser humano inteligente. Como aceitar que há tão pouco tempo, na zorra dos anos 1970, o estupro de uma menina de 13 anos não era uma coisa assim tão grave – ou Polanski teria, no mínimo, encerrado ali mesmo, na banheira de hidromassagem da casa de Jack Nicholson, a carreira que fez, em grande parte, depois de fugir de Hollywood para a Europa. O mundo deixou isso pra lá! 

É bom dizer que escrevo na sexta-feira! Na segunda, dando ainda minhas braçadas na onda de protestos dos intelectuais europeus – ô, raça! –, eu contextualizava o estupro na relatividade do obsceno na vida dos artistas de sucesso na década de 70. “Melhor deixar quieto!” – cheguei a recomendar, preocupado com o Caetano. Mudou tudo depois que encontrei ‘O povo da Califórnia contra Polanski’ no blog do Marcelo Rubens Paiva no portal do Estadão. O depoimento de época da vítima de 13 anos é a coisa mais desconcertante que li este ano.

O relato cirúrgico e consciente do ato secreto de Polanski não deixa dúvidas: trata-se de um crápula, canalha, cretino! Mas que menina é aquela? Quem era Samantha Jane Geimer? Na quarta-feira, buscando respostas para isso na lista de ongs em defesa de sua honra, encontrei em reportagem de Andrei Netto, correspondente do Estadão em Paris, uma certa “Crianças Azuis”. Burro do jeito que sou, fui pesquisar e, quando cheguei numa parte que falava do “fenômeno de seres muito especiais que decidiram encarnar no planeta a partir dos anos 70 com a missão de mudar as regras dos sistemas e a evolução da raça”, que me desculpe o leitor, resolvi dar um tempo neste assunto. O ser humano é muito complicado!

Publicado na coluna Ambulatório da Notícia do caderno Aliás deste domingo no ‘Estadão’.

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