Quem ainda acredita em inauguração?

Tutty Vasques

24 de março de 2010 | 09h28

Substantivo feminino que o dicionário Houaiss da língua portuguesa define como “cerimônia por meio da qual se entrega ao público uma nova obra”, a palavra ‘inauguração’ desponta no panorama político brasileiro como a primeira grande vítima das eleições 2010. Se depender dos candidatos que disputam a Presidência com maior chance, este tipo de festividade formal estará inteiramente desmoralizado até o início de abril, quando Dilma e Serra deixam seus cargos de governo para inaugurar as respectivas campanhas, como se elas já não estivessem em marcha acelerada. Quem liga? Inauguração virou sinônimo embromation. Tudo mentirinha, me engana que eu gosto.

Maquete, obra inacabada ou sob suspeita, assinatura de contratos, pedra fundamental, inaugura-se ultimamente até o que já foi inaugurado ou ainda nem saiu do papel. Já é possível, inclusive, descerrar placas em série sem sair do gabinete. Só não inventaram a ‘vídeo-inauguração’, com a tecnologia das conferências a distância, porque não tiveram a ideia antes. A coisa é tão descarada que tem eleitor decidido a votar no candidato que menos aparecer em inaugurações neste final de mês. Será que não percebem que está pegando mal, caramba?!

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