Quem gosta de privacidade é mulher feia

Quem gosta de privacidade é mulher feia

Tutty Vasques

22 de junho de 2008 | 10h48

ilustração pojucan

O conceito de evasão de privacidade tem se enriquecido ao longo dos tempos com exemplos práticos inimagináveis há 10 ou 15 anos, quando a indústria de celebridades começou a virar negócio de peso no Brasil. Não passava pela cabeça de ninguém a possibilidade, por exemplo, de um cirurgião plástico rachar com uma rainha de bateria a divulgação de foto em que protagonizam uma aplicação de botox. Quem navegou pela Internet esta semana pode ter cruzado com a seringa do Dr. Ricardo Cavalcanti espetada na testa de Viviane Araújo. “Eu adoro botox!” – informou a ex-namorada do Belo, através de sua assessoria de imprensa.

Quando ninguém falava ainda “mídia” era muito mais difícil plantar notícias nela. Dia desses, de Paris, a ex-BBB Gyselle Soares acionou seu esquema de divulgação no Brasil com um comunicado que pode virar clássico da evasão de privacidade: atropelada por uma moto, a menina foi levada para casa pelo próprio motoqueiro, e passa bem. Há três décadas, esse tipo de ocorrência em Paris só virava notinha de jornal por aqui se a vítima fosse Brigitte Bardot ou o atropelador, o Allan Delon em pessoa.

Não sei exatamente a partir de quantas aparições no sistema de busca do Google uma aspirante a celebridade se consagra, mas Gyselle Soares é sem dúvida um fenômeno nessa arte: em menos de um ano de exposição pública, seu nome consta de “aproximadamente 432.000” citações em páginas da Internet. Viviane Araújo, cuja fama de mulherão precede a banda larga, tem menos aparições – “aproximadamente 387.000” -, mas também pode se gabar de estar mais à vista na web do que Ana Paula Arósio (160.000), Marília Gabriela (193.000), Fátima Bernardes (198.000), Cláudia Raia (206.000) e Hebe Camargo (209.000).

Nesse mundo em que a Mulher Melancia já superou a marca de 1 milhão de menções localizadas pelo Google, Adriane Galisteu beira a faixa das 500.000 citações. É, entretanto, imbatível nesse negócio de aparecer quando, como agora, não tem nada para fazer. Fora do ar na grade do SBT e fora de cena no teatro, ela é notícia quase todo dia. Sua vida é uma novela que a gente acompanha mesmo sem querer. Nas últimas três semanas, Adriane Galisteu se superou. Na quinta-feira passada, a loura já acumulava um press cliping impressionante deste período, só com histórias que não interessam a ninguém.

Vou tentar contar de uma vez só sem perder o fôlego: entre os dias 27 de maio e 20 de junho, Adriane Galisteu beijou a aniversariante Luiza Brunet na boca, vestiu terno, gravata e óculos masculinos na festa de lançamendo do Audi R8, dormiu com a mãe no hospital no Dia dos Namorados, saiu do show de Ana Carolina alimentando boatos de relacionamento com a cantora, carregou a amiga Iamim Araújo na garupa de sua lambreta no Leblon, foi processada pelo Conselho Regional de Enfermagem por “incentivo ao fetichismo”, meditou na praia, deu entrevista para o programa de João Gordo na MTV e ainda roubou a cena da São Paulo Fashion Week anunciando seu namoro com Alexandre Iódice. Ninguém acreditou, mas e daí?

No futuro, quando todo mundo puder viver seu big brother particular no noticiário, Adriane Galisteu será lembrada como uma revolucionária da evasão de privacidade. A primeira mulher que curtiu o ócio como se fosse o ápice de sua carreira. Tem lá seu valor!

(Texto publicado no caderno Aliás do ‘Estado’)

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