Quem lê tanto processo?

Tutty Vasques

23 Novembro 2012 | 00h02

reproduçãoTá certo que não dá para julgar ninguém pelo Twitter, mas por que diabos todo processo judicial no Brasil é maior que a Bíblia? O que apura a morte de Eliza Samudio, por exemplo, se estende por 15 mil páginas em 64 volumes.

Fala sério: a odisseia criminal do goleiro Bruno não pode ser 16 vezes maior que a de ‘Ulisses’, romance de James Joyce que recria a trajetória do próprio Odisseu, de Homero.

Na farsa de Contagem (MG), o julgamento foi interrompido por quatro meses para que novos advogados finjam que vão usar este tempo para estudar aquela xaropada toda. Ninguém lê tanto processo!

O do mensalão tem 50 mil páginas em mais de 234 volumes. Por muito menos – algo em torno de 30 mil páginas –, a Enciclopédia Britânica anunciou em março o fim de sua versão em 32 volumes.

Em plena era da comunicação instantânea, francamente, podiam ao menos editar melhor o material das investigações. A CPI do Cachoeira chega ao cúmulo de chamar de “relatório final” um calhamaço de 5.300 páginas reunidas em cinco volumes.

Como dizia o fofo do ex-presidente do STF, Ayres Britto, parodiando o ‘Pai Nosso’, “não nos deixei cair em tantas ações”. Amém!