República dos abestados

República dos abestados

Tutty Vasques

15 de agosto de 2010 | 08h41

ILUSTRAÇÃO POJUCAN

ILUSTRAÇÃO POJUCAN

Falta ainda o abestado do marqueteiro do Tiririca se dar conta da oportunidade de exposição na mídia que se apresenta logo no início da campanha ao mais palhaço dos aspirantes ao cargo de deputado federal por SP. Imagine o impacto político da presença do comediante na passeata convocada por humoristas de todo o País para o próximo domingo, na praia de Copacabana, contra a lei eleitoral que proíbe qualquer tentativa de ridicularização dos candidatos no rádio e na TV fora do Horário Eleitoral Gratuito.

         A candidatura de Tiririca pode até ganhar algum sentido se apresentada ao eleitor como uma alternativa humorística à proibição de se esculachar com a política na grade comercial das emissoras. O candidato do PR estreia terça-feira na propaganda do TRE já avacalhando a própria imagem parlamentar: “Você está cansado de quem trambica? Vote em Tiririca, pior que tá não fica!” Está, evidentemente, de gozação, mas transformar tal deboche em protesto contra a censura a seu metiê de origem, francamente, pode ser interpretado como coisa de gênio do marketing político.

         Não custa quase nada regravar a participação do comediante no Horário do TRE: “Vim a este programa dizer as bobagens que os abestados dos meus colegas humoristas estão impedidos de repetir no programa deles. Junte-se a nós na passeata Humor Sem Censura, domingo que vem, em Copacabana!”

Isso posto, restará ao candidato correr pro abraço solidário na concentração marcada para 15h do dia 22, diante do Copacabana Palace.

Com um pouco de sorte e algumas caretas, Tiririca se destacaria na multidão de humoristas indignados que se espera na manifestação. Afora representantes de programas como “A Turma do Casseta & Planeta”, “CQC”, “Pânico na TV”, “Os Legendários”, “Comédia MTV” e “Clube da Comédia”, o Rio já tem mais comediante stand up que maconheiro a fim de protestar. Periga nas eleições de 2012 o evento já reunir mais gente que a Parada Gay.

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