Saia justa global

Tutty Vasques

07 Março 2013 | 02h47

ilustração pojucanLideranças desafetas de Hugo Chávez mundo afora precisaram fazer uma ginástica diplomática danada para redigir seus respectivos comunicados oficiais de pesar pela morte do líder bolivariano. O desafio era mandar um recado que não parecesse nem tão sincero que soasse grosseria, nem tão comovido que parecesse falsidade.

Em suma, “apesar do seu temperamento”, “a despeito de não concordar com ele”, destaque-se sua “coragem e determinação de luta”, com os votos de “um novo tempo e de um futuro melhor para o povo venezuelano”… Sem mais, subscrevem tais formalidades os presidentes Barack Obama e François Hollande, o rei Juan Carlos, a chanceler Angela Merkel etc., etc.. etc.

O ex-presidente George W. Bush, a quem Chávez identificava como o diabo em pessoa, preferiu se fingir de morto para não falar do falecido. Mandou dizer que não estava aos jornalistas – ô, raça! – que telefonaram para repercutir o obituário.

Só o humor não fez concessões e, entre as piadas de velório, a melhor, até pela inocência da molecagem, virou manchete do tabloide carioca ‘Meia Hora’: ‘Chávez morre sem querer querendo’. Vai dizer que não é boa?!