Samba do ambientalista doido

Samba do ambientalista doido

Tutty Vasques

20 de dezembro de 2009 | 09h17

ILUSTRAÇÃO POJUCAN

ILUSTRAÇÃO POJUCAN

Se, a esta altura do fim do mundo, você ainda não sabe o que é REDD, mitigação ou mecanismo MRV, cuidado com o que vai dizer por aí sobre o fiasco da Conferência do Clima em Copenhague. Talvez seja melhor protestar calado, acorrentado a uma árvore ou fantasiado de foca, alienígena, cavaleiro do apocalipse… O Meio Ambiente não é mais papo para meros amantes da natureza. Precisa saber o que é LCA, G-77 e COP-15; como funcionam o crédito carbono e o fundo de combate às mudanças climáticas; quais são as principais fontes de emissão de CO2; e, last but not least, que diabos o pum da vaca tem a ver com o efeito estufa.

Há que ser bom, sobretudo, em matemática para calcular a relação custo/benefício entre o crescimento econômico e os danos na camada de ozônio. Um cursinho de gestão do fim do mundo também pode ajudar. Tem muito ambientalista politicamente correto na discussão, que nunca viu um pôr-do-sol inteiro, mas sabe o que está falando, conhece a equação que pode salvar a vida na Terra. Ecologia virou tema tão recorrente e complexo nos nossos tempos quanto os Fenícios nos enredos dos bons tempos de Joãosinho Trinta. Se um dia fizerem o samba de Copenhague, o primeiro verso levará a assinatura de Dilma Rousseff: “O meio ambiente é uma ameaça ao desenvolvimento sustentável.” O crioulo doido deve estar morrendo de inveja da ministra!

Texto publicado na coluna Ambulatório da Notícia do caderno Aliás do Estadão.

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