Samba do Imperador doido

Tutty Vasques

03 Abril 2011 | 06h50

ghedjhA História da Civilização como está nos livros deve a Cecília Helena Salles Oliveira, diretora do Museu do Ipiranga, o breque providencial no ‘Samba do Imperador Doido’, cujo enredo a diretoria do Corinthians tentou montar no prédio centenário do Parque da Independência para a apresentação de seu novo astro do futebol, o jogador Adriano. Alegando zelo com o patrimônio cultural do berço do Brasil independente, a professora desconversou delicadamente os cartolas, evitando entrar na discussão sobre que diabos D. Pedro I tem a ver com o imperador romano que empresta seu título bambambã ao xará recém-contratado pelo Timão!

Segundo jornais do início da semana, era intenção do clube convencer seu novo atacante a pagar o mico de se apresentar na coletiva de imprensa do Museu vestido de D. Pedro I. Como se o apelido “Imperador” fosse genérico! Como se, no final, todos dissessem “Independência ou morte”. Como se rainha da Inglaterra ou de bateria fosse tudo a mesma coisa!

Nosso Adriano, como se sabe, virou “Imperador” no tempo em que, como seu homônimo do Século II, mandava bem no Velho Mundo. Tomara que essa tentativa de associá-lo agora à figura do filho de Dom João VI nada tenha a ver com a queda de seu rendimento em campo nos últimos tempos, o que caracterizaria caso de complexo de vira-lata imperial.

Imagina tudo isso no entendimento daquele bando de loucos ressabiados com esse papo de imperador pra cá, imperador pra lá… No final, a sensatez triunfou: o Corinthians abdicou de toda e qualquer pompa para apresentar Adriano como seu jogador em cenário austero e reservado. O ambiente lembrava um pouco a visita que o Imperador Akihito fez esta semana a desabrigados em Tóquio, mas – pelamordedeus! – uma coisa não tem nada a ver com a outra. E não se fala mais nisso, ok?