Samba nas coxas

Tutty Vasques

12 Fevereiro 2013 | 05h41

ilustração pojucanDa cintura pra cima, a fôrma é quase sempre a mesma, variando apenas o tamanho da prótese de silicone. Não há mais, salvo raríssimas exceções comunitárias, sinais particulares no design dos seios da mulherada que desfila pelada no carnaval.

Não chega a ser grave numa atividade que tem como essencial o samba no pé, mas tal tendência de padronização física das chamadas musas, madrinhas e rainhas do ziriguidum aproxima-se perigosamente de uma parte do corpo que faz a diferença na passarela: as pernas!

De fazer inveja a muito zagueiro central por aí, as coxas trabalhadas dessas mulheres que se preparam o ano inteiro para tirar a roupa no carnaval já estariam, inclusive, prejudicando o bom andamento da cadência bonita do samba.

Quitéria Chagas, uma espécie de deusa cult do Império Serrano, reparou nos desfiles deste ano que certa musculatura adquirida em academias atrapalha: “Você acaba não conseguindo sambar no ritmo certo da bateria.”

Pernas que até emprestariam uma certa graciosidade ao carrinho por trás, se houvesse este passo na prática do samba. Tomara que o alerta de Quitéria sensibilize futuras gerações de passistas.