Santinhos do Palocci

Tutty Vasques

29 de maio de 2011 | 06h12

FGFGFGFTodo mundo tem um vizinho parecido com o Palocci, não exatamente pela barriga e/ou a língua presa em comum. Sabe aquele cara meio esquisitão com quem você cruza todo dia, mas ninguém na rua sabe exatamente quem é? Sai cedinho e volta tarde pra casa vestindo terno escuro, pasta de couro marrom a tiracolo, barba que não dá pra dizer com certeza se ele está deixando crescer ou não tem tempo de fazer, respiração ofegante, expressão grave, testa franzida em sinal de cumprimento, nada que facilite sua apresentação.

Não é um sujeito particularmente alegre nem triste, simpático ou antipático, familiar ou devasso, amistoso ou hostil. O porteiro do prédio da esquina diz que o colega que trabalha em frente certa vez o viu chegar cambaleante tarde da noite com duas mulheres de salto alto e minissaia, assoprando língua de sogra, mas o vizinho de porta jamais ouviu qualquer coisa estranha no apartamento ao lado que não fosse ópera nas manhãs de domingo. Baixinho!

Nos fins de semana, praticamente não sai de casa. Nunca foi visto no bairro de bermuda, manga de camisa, tênis ou óculos escuros. Há controvérsias sobre seu suposto relacionamento com filhos, ex-mulheres, pais ou amigos, que, imagina-se, ele tenha em segredo, ainda que não faça nada intencionalmente escondido de ninguém. O cara é assim mesmo, não está nem aí para sua imagem na comunidade.

Se amanhã descobrirem nos jornais que ele é o capeta – ou um anjo, tanto faz! -, metade da rua vai dizer “eu já sabia”. A outra metade simplesmente não acreditaria nas denúncias.

Ainda que seja só fofoca o que corre à boca pequena na vizinhança da Casa Civil, seu inquilino poderia evitar aborrecimentos m aiores mostrando-se melhor ao país que o cerca. Passar pra lá e pra cá com cara de santo é pouco. O porteiro do meu prédio ouviu dizer que Palocci, em italiano, é o plural de “pau-oco”. Cá pra nós, faz sentido!

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