Sem olhar o próprio umbigo

Tutty Vasques

24 de abril de 2010 | 09h25

ilustração pojucan

ilustração pojucan

Não é, decerto, momento para se esperar grandes coisas em matéria de futebol do tão aguardado confronto entre Ronaldo e Adriano, mas o torcedor não está nem aí pra isso. Sem nenhuma confiança no jogador de maior peso de seu time, corintianos e flamenguistas vão lotar o Maracanã e depois o Pacaembu com a estratégia de pegar impiedosamente no pé do gordo do adversário nas oitavas-de-final da Libertadores.

Adiado duas vezes por contusões de um e de outro no Brasileirão de 2009, o duelo do século virou uma espécie de tira-teima pra ver qual dos dois está mais ridiculamente fora de forma. Fenômeno x Imperador, convenhamos, vamos combinar que desafio de barrigudos com tais apelidos soa aos ouvidos mais antigos a chamada na TV para clássico do telecatch.

Não à toa, a torcida também vai levar na garganta para os estádios esse espírito vale-tudo de manifestação. Vale entoar coros sobre a namorada de um e a masculinidade do outro; a favela de um e a dieta do outro; o piripaque de um e o birinight do outro…

Quanto menor a bola de um e de outro em campo, mais a vida pessoal dos dois estará em jogo no embate da Gaviões da Fiel com a Raça Rubro-Negra. A expectativa é de novo recorde no ranking nacional das maldades de arquibancada.