Sem querer, querendo!

Sem querer, querendo!

Tutty Vasques

18 de abril de 2010 | 09h28

Dilma Rousseff poderia abreviar a polêmica da semana lembrando a todos que, a exemplo do que aconteceu com sua fala em São Bernardo, Joaquim Osório Duque Estrada também não teve intenção de fazer críticas veladas à condição de ex-exilado de José Serra quando escreveu “verás que o filho teu não foge a luta” na letra do Hino Nacional.

Além de mais engraçado que acusar “má-fé” na leitura de seu discurso dúbio – “EU não fujo quando a situação fica difícil” -, a analogia nos pouparia de todo aquele papo de aparelho pós-AI-5 que abriu o debate eleitoral quando as pré-candidaturas saíram, enfim, do armário. Exílio ou luta armada? – eis a questão que, de súbito, dominou o noticiário político nacional e quase pirou o pobre do eleitor indeciso.

ILUSTRAÇÃO POJUCAN

ILUSTRAÇÃO POJUCAN

Ficou mais maluco ainda quando Serra tirou Celso Pitta da cartola na Bahia para mostrar que, da mesma forma que o ex-prefeito não correspondeu às expectativas de seu criador no governo de São Paulo, Dilma também poderá decepcionar o apoio do presidente Lula. Comovido, Paulo Maluf agradeceu publicamente o elogio tucano e, mais uma vez, o eleitor teve que fazer um esforço danado para tentar entender que diabos de conversa é essa que os dois principais candidatos à Presidência resolveram estabelecer logo no início da campanha, que se anuncia dura.

Tudo que eles dizem parece “sem querer, querendo”, no melhor estilo Chaves, o personagem humorístico mexicano com nome de ditador venezuelano. Tomara que Dilma e Serra definam logo seus papéis e que tipo de espetáculo vão protagonizar até o final do ano. Até agora, está mais para comédia de erros!