Síndrome do pânico político

Síndrome do pânico político

Tutty Vasques

24 Outubro 2014 | 00h02

Os psicanalistas – ô, raça! – devem estar adorando! Nove entre dez adeptos do divã deixaram um pouco de lado o lenga-lenga de suas vidinhas confortáveis para gastar, além de algo entre R$ 250 e R$ 500, pelo menos metade dos 50 minutos da sessão falando de suas neuras políticas. Tem gente que, temendo ficar acuada no debate, diz pro marido tucano que “agora é Aécio”, troca e-mails de apoio à Dilma com a melhor amiga petista e sempre acompanha o voto do motorista de táxi que puxar o assunto eleições.

 

Tem gente que, contaminada pelo ódio da polarização política, acabou com o namorado, mandou o chefe praquele lugar e quase saiu no tapa com um desconhecido no ponto de ônibus, ofendido pelo grito parado no ar contra sua opção de voto, seja ela qual for.

 

Tem gente que, sem se dar conta da própria transformação, assume alternadamente o discurso aecista ou dilmista, dependendo do ambiente predominante que o cerca. É o que os psicanalistas chamam de eleitor bipolar.