Só tem tantã!

Tutty Vasques

29 Abril 2011 | 06h08

No fundo, no fundo o que todo psicanalista faz no consultório é, de certa forma, ensinar maluco a ser doido, ou seja, a conviver bem com suas esquisitices, sem se perturbar muito com sintomas aparentes. “De perto”, como dizia Belchior, “ninguém é normal”! No divã, aprende-se, basicamente, a olhar pra dentro e não se assustar com a paisagem inquietante de um ser humano virado às avessas.

O que é completamente louco na relação da promotora Deborah Guerner com seu psiquiatra é que, pelas imagens que documentam aquele psicodrama fajuto, a patologia dos dois era tratada como farsa. O que a gente viu nos telejornais da semana é um maluco tentando ensinar a outro como se comporta um doido. Peralá! Medo de “secador de cabelo de cabeleireiro”, para efeito de diagnóstico judicial, francamente, não é coisa que dê credibilidade à insanidade de ninguém!

Se a paciente queria se passar por doida no tribunal, bastava orientá-la a ser ela mesmo diante do juiz. Afinal, alguém que produz provas contra si diante das câmeras de segurança de sua própria casa, cá pra nós, não bate bem das bolas, né não?