Sorria! Você perdeu na Mega-Sena

Tutty Vasques

02 de setembro de 2010 | 06h29

ilustração pojucan

ilustração pojucan

Já fui funcionário de lotérica, sei muito bem o que foram os últimos dias para esta pobre gente – ô, raça! O leitor provavelmente faz ideia do trabalho que nessas ocasiões se multiplica pelos milhões e milhões acumulados na Mega-Sena, mas só quem já esteve do outro lado do guichê sabe o que é ouvir as fantasias que todo apostador faz para si no papel de protagonista da sorte grande.

         É quase como num confessionário! Tem gente que, quando chega sua vez na fila, desanda a contar o que faria com o patrão, com a mulher, com os parentes, com os amigos e com a torcida do Flamengo, se virasse milionário. Raramente a narrativa é de conto de fadas. “Eu mandava todo mundo pra…” Rola muito isso! Alguns, mais ligados à família, pagariam uma grana adiantado para que não lhe enchessem mais a paciência.

         Todo mundo tem projetos de sair de casa, do bairro, da cidade ou do País. Parar de trabalhar é outra obsessão popular! Pobre acha que não fazer nada é o máximo! Exceção para os que sairiam da pindaíba direto para a mais completa luxúria.

         Quem trabalha ou já trabalhou em lotérica sabe que muito dinheiro, em geral, piora o ser humano. Foi até bom pra você não ter acertado os números do sorteio de ontem. Pense nisso!

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